Sahifa fully responsive WordPress News, Magazine, Newspaper, and blog ThemeForest one of the most versatile website themes in the world.
Outubro Rosa todos os meses do ano – Carolina Martins Vieira – Oncologista da Santa Casa de Misericórdia de Lavras
25 de outubro de 2019
Mamede é gente de casa. Da Santa Casa!
7 de novembro de 2019
Veja mais

NOVEMBRO AZUL 2019 – Artigo Dr. André Murad

NOVEMBRO AZUL 2019

 Avanços na Genética e nos Testes Genéticos para o diagnóstico correto das síndromes de predisposição hereditária ao câncer propiciam melhor seleção dos homens para o rastreamento do câncer de próstata. Tratamentos que combinam terapia alvo-molecular e imunoterapia começam a ser testados, inclusive com participação de Belo Horizonte.

Novembro Azul é uma campanha de conscientização realizada por diversas entidades no mês de novembro dirigida à sociedade e, em especial, aos homens, para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata.

O câncer de próstata é o câncer mais comum e a segunda maior causa de morte por câncer nos homens. Cerca de 1.201.619 novos casos e 335.643 óbitos são previstos no mundo pela doença, o que corresponde a aumento em relação ao ano de 2012 de 9,7% e 9,2%, respectivamente. No Brasil, a estimativa para 2017  é 61.200 casos novos e cerca de 13.772 óbitos ( segundo tumor que mais mata os homens. O primeiro é o câncer de pulmão). É o câncer mais comum no Brasil (excluindo-se os cânceres de pele). Representa cerca de 4 em cada 10 cânceres que atingem a população masculina brasileira com mais de 50 anos de idade. Problemas para urinar, sensação de que a bexiga não se esvazia completamente e sangue na urina são indícios de um estágio avançado da doença. Dores ósseas, principalmente nas costas, sugerem a presença de metástases, fase em que a doença já é incurável. O diagnóstico sempre deve ser obtido antes que os sintomas surjam, para que o tratamento tenha altas chances de cura.

Fatores causais: oportunidade para uma prevenção

Vários estudos sugerem que maus hábitos alimentares, como uma dieta rica em gordura e proteína de origem animal de alimentos industrializados, enlatados, adocicados, embutidos artificialmente conservados eleva os índices de substâncias potencialmente cancerígenas no organismo, como a  nitrosamina e o IGF, que é um fator similar à insulina, com propriedades estimuladoras do crescimento de células tumorais. A obesidade e o sedentarismo igualmente elevam os riscos. Portanto, uma dieta saudável, rica em verduras, legumes, frutas, grãos e peixes além da prática regular de atividades físicas e manutenção do peso ideal seriam as principais medidas preventivas.

A polêmica do rastreamento como ferramenta para o diagnóstico precoce e a redução da mortalidade

Não existe consenso entre as organizações de saúde a respeito do rastreamento do câncer de próstata, como o que utiliza as dosagens periódicas do PSA (antígeno prostático específico) e a realização do toque retal. Aquelas contrárias argumentam que não existem evidências conclusivas de que a detecção precoce tenha influência na mortalidade específica pelo tumor, além do fato de pacientes em rastreamento estarem expostos às complicações e aos efeitos colaterais de um possível tratamento cirúrgico ou radioterápico desnecessário. Aquelas a favor da prática argumentam que existem evidências de que o rastreamento é responsável pelo declínio da mortalidade em determinadas áreas. As Sociedades de Urologia Americana, Europeia e Brasileira indicam o rastreamento baseadas em estudos randomizados de grande porte e longo seguimento.

O rastreamento universal de toda população masculina (sem considerar idade, raça e história familiar) não parece ser a melhor abordagem. Apesar de associado ao diagnóstico precoce e diminuição da mortalidade, pode trazer malefícios a muitos homens, como cirurgia ou radioterapia desnecessárias, com todos as suas complicações inerentes a estes procedimentos, como a incontinência urinária e a disfunção erétil.  Em outubro de 2011, o US Preventive Services Task Force (USPSTF) publicou uma modificação de suas  recomendações para o rastreamento em câncer de próstata, sugerindo a sua não realização pelo menos de forma indistinta, para  todo os homens. Por isso, a recomendação atual é a de se individualizar a abordagem, realizando-a apenas em homens  considerados como de alto risco para desenvolver a doença.  Embora indivíduos obesos e de descendência africana tenham maior risco de desenvolver o câncer de próstata,  hoje, através dos mais recentes  estudos genéticos sobre a doença,  sabemos que o principal fator de risco é hereditário e ocorre devido a mutações herdadas em genes como o BRCA-1 e o BRCA-2 (menos frequentemente o TP53, o MLH1, o PMS2, o MSH6 e o MSH2). Estudos de grande porte  demonstram que o câncer de próstata hereditário é responsável por até 57% dos casos e tendem a ser mais agressivos e a surgir em idade mais jovem (abaixo dos 50 anos). O risco de câncer de próstata é 4 vezes maior nos portadores de mutação no gene BRCA-1 e 9 vezes maior nos portadores de mutação do gene BRCA-2.   As mutações destes genes aumentam também o risco de cânceres de mama (inclusive nos homens), ovário, pâncreas e pele (melanoma). As técnicas mais modernas de sequenciamento genômico têm tornados estes exames cada vez mais precisos  e acessíveis,  inclusive com custos menores e possibilidade de realização de painéis com múltiplos genes ao mesmo tempo. O exame é feito com material da saliva ou sangue.

 Quando realizar os testes genéticos

Recomenda-se a pesquisa destas mutações quando houver histórico de câncer de próstata com escala de Gleason maior ou igual a 7 (esta classificação é feita em função das características celulares e histológicas que constituem o tumor, de acordo com seu grau de agressividade: Gleason igual ou maior que 7 corresponde a tumores de agressividade alta ou intermediária) e mais as seguintes situações: 1) pelo menos um parente de primeiro grau com histórico de câncer de mama, ovário ou próstata com diagnóstico feito em idade abaixo dos 51 anos, 2) pelo menos 2 parentes com histórico de cânceres de mama, ovário ou próstata em qualquer idade.  O ideal é que se faça o teste genético primeiramente em um paciente que teve o câncer. Uma vez detectada uma mutação específica, esta alteração deve ser também pesquisada nos familiares consanguíneos,  com vistas ao planejamento de um rastreamento ativo com dosagens seriadas de PSA e mesmo outros exames para a detecção precoce também dos demais tumores que compõem a síndrome, com início idealmente em idade abaixo dos  40 anos (recomenda-se o início do rastreamento na idade 5 anos abaixo daquela em que foi diagnosticado o câncer no familiar cujo diagnóstico ocorreu em idade mais jovem).   Todas estas condutas e exames, bem como o aconselhamento genético pré e pós testes devem ser realizados por especialistas com larga experiência em Oncogenética.

 

André Márcio Murad

Professor Coordenador da Disciplina de Oncologia da Faculdade de Medicina da UFMG, pesquisador do Serviço  de Oncologia do HC-UFMG  e Diretor Clínico da Personal. Oncologia de Precisão e Personalizada de  Belo Horizonte, MG.  Oncogeneticista da CETTRO

de Brasília . Diretor Científico do GBOP. Grupo Brasileiro de Oncologia de Precisão. Oncologista da Santa Casa de Misericórdia de Lavras