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Dr. Marcelo Barbosa Ribeiro é médico da casa
30 de setembro de 2021
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Entrevista Dr. Cássio Haddad – Outubro Rosa: prevenção ao câncer de mama

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, correspondendo a cerca  30% dos casos a cada ano. É também o que mais causa mortes.

De acordo com o INCA, são estimados 66.280 novos casos da doença neste ano de 2021.

Como conhecimento e informação fazem parte da prevenção, a Santa Casa conversou com o médico mastologista e ginecologista Dr. Cássio Haddad sobre o câncer de mama.

Confira:

O que é o Câncer de mama?

É o aparecimento de um tumor maligno nas células localizadas no interior da mama. Uma célula mamária sofre um processo de mutação, ou seja, de alteração de sua estrutura e essa célula passa a se multiplicar descontroladamente. Essa célula vence os mecanismos que o organismo tem de defesa contra essas alterações e ela se mantém multiplicando-se de maneira, chamada imortal, originando um tumor. Esse tumor tem a capacidade de crescer e invadir as estruturas ao seu redor e de se lançar em locais distantes, as chamadas metástases, por isso é denominado de tumor maligno.

Por que ele é o mais comum entre as mulheres?

Não existe uma razão ou uma explicação conhecida do por que ele ser o mais comum no mundo. O câncer de mama é multifatorial, são diversos os fatores relacionados à sua ocorrência, como fatores genéticos, ambientais e muitos  estão ligados à questão reprodutiva e hábitos de vida da mulher.

Quais os principais fatores de risco?

São inúmeros os fatores relacionados ao surgimento de um câncer de mama. O principal deles é ser mulher. Depois vem o aumento da idade,que também é um risco para outros tipos de câncer. Alguns fatores reprodutivos da mulher, como a menarca precoce e a menopausa tardia, nunca ter engravidado ou o uso de terapias hormonais ( estudos sugerem um pequeno aumento de casos) elevam o risco de câncer de mama. Hábitos de vida influenciam, como sedentarismo, alimentação inadequada, consumo de produtos industrializados, dieta rica em gordura e açúcar, consumo de bebida alcoólica e obesidade. A história familiar é outro fator de risco, principalmente se for com parentes mais próximos, de primeiro grau, com câncer de mama, e que ocorreu em idade mais nova. E um outro grande fator de risco, mas felizmente não tão frequente , é a mutação genética,que predispõe ao desenvolvimento do câncer de mama.

Na menopausa muitas mulheres fazem reposição a hormonal, isso realmente torna-se um fator de risco, mesmo que discretamente como mencionou anteriormente?

A reposição hormonal da menopausa é motivo de muita discussão em relação ao câncer de mama, porque existem estudos mostrando que alguns tipos de reposição hormonal aumentam em pequena escala, mas aumentam, os riscos de câncer de mama. Isso gerou um certo alarde quando esses estudos foram publicados, o que até ocasionou uma diminuição muito grande das indicações de reposição hormonal, porém esse aumento de risco é pequeno. Na grande maioria não vai ter contraindicação. Tudo deve ser bem analisado e individualizado, para que se pese os pontos positivos e negativos dessa reposição hormonal. Existem mulheres que necessitam dessa terapia para que possam melhorar sua qualidade de vida e combater os sintomas do climatério.

E quais são os sintomas do câncer de mama?

A principal forma de manifestação do câncer de mama é um nódulo  na mama, geralmente o nódulo não dói, é endurecido e é percebido pela mulher ou pelo médico durante o exame de palpação da mama. Existem outras sintomas como, por exemplo, alguns tipos de secreção pelo mamilo, mas a maioria é de secreção natural. Lesões no mamilo, como uma ferida, e alterações no contorno da mama também podem indicar a presença de alguma alteração. A vermelhidão na mama, com a pele endurecida, que popularmente falamos de um aspecto de casca de laranja, pode também ser um sinal de um tumor. Por fim, e de maneira menos frequente, temos os nódulos na região da axila, que possui ligação direta com a mama , por meio dos gânglios linfáticos.

Como é realizado o diagnóstico?

O diagnóstico se baseia no exame clínico, ou seja, na palpação das mamas, do exame de imagem, principalmente da mamografia e ulltrassom e na confirmação, quando há uma lesão suspeita, por biópsia. Esses exames formam o chamado tripé-diagnóstico. O exame mais usado é a mamografia, realizado pelas mulheres como exame de rotina e rastreamento. O ideal é que seja feito a partir dos 40 anos. É também ideal que esse tumor seja descoberto antes de se tornar palpável, num exame de rotina, pois configura um diagnóstico precoce, o que traz melhores resultados no tratamento.

Constatado o câncer, quais os tratamentos disponíveis?

Detectado o câncer, deve-se planejar e iniciar imediatamente o tratamento. Existem alguma modalidades de tratamento. Temos a cirurgia conservadora, aquela que preserva a mama e retira-se apenas uma parte da mama ou, quando necessário, uma cirurgia de maior extensão e mais radical, quando há a retirada de toda a mama, a chamada mastectomia total. Outras modalidades que fazem parte do tratamento são a quimioterapia, que é um tratamento sistêmico; a radioterapia, que é uma irradiação sobre a mama e da região próxima da mama, caso haja necessidade. Temo também as chamadas terapias-alvo, que são algumas drogas que agem especificamente para determinados tipos de tumores e nós temos a hormonioterapia, feita por comprimidos e utilizada em alguns tipos de tumores.

O tratamento é hoje extremamente individualizado e personalizado. Todas essas etapas são indicadas, ou não, de acordo com as características daquele tumor e do estágio.

Por que o câncer de mama tem alto índice de mortalidade?

Ao olharmos para os países desenvolvidos, percebemos que já há uma redução da mortalidade.Infelizmente, entretanto, nos países em desenvolvimento a mortalidade é ainda elevada e, de maneira geral, crescente. Alguns fatores estão relacionados a isso, a começar pela alta incidência: como é grande número de casos, há também um número de mortes alto. Há também os fatores ligados ao próprio tumor, neste caso temos a questão do diagnóstico precoce ou não. Quando detectamos a doença em seu estágio inicial os resultados são bons e a taxa de cura é alta, mas quando o tumor é detectado em uma fase mais avançada, há um impacto direto e negativo nos resultados, apesar de todo o avanço tecnológico e terapêutico.

Então, como dito, diagnóstico precoce oferece o melhor prognóstico para a paciente?

Exato. O diagnóstico precoce é realmente um fator crucial para aumentar as chances de cura, além de alterar toda uma cascata de eventos, como uma cirurgia mesmo agressiva, tratamentos menos invasivos e melhor qualidade de vida. As chances de cura, quando o tumor é detectado nas fases iniciais, são superiores a 95%.

É possível prevenir?

Em termos de prevenção podemos separar dois tipos: a prevenção primária e secundária. Na primária, prevenir é adotar certas medidas que possam evitar o câncer de mama, como estar no peso ideal, ter hábitos de vida saudáveis, como não ingerir bebidas alcoólicas, não fumar e fazer atividade física regular. Há estudos que indicam que fazer 150 minutos de atividade física por semana reduz o risco de câncer de mama. Sabemos também que a amamentação é um fator protetor. Já a secundária, que não é exatamente prevenir a doença, mas sim descobri-la e tratá-la precocemente. Neste último caso, significa realizar o controle periódico, ir regularmente ao médico e fazer mamografia para rastreamento.

Homens podem ter câncer de mama? Por que não é tão comum?

Homens podem ter câncer de mama. É uma condição bem menos frequente que na mulher. Em cada 100 casos de câncer de mama, 99 ocorrem em mulheres e por isso foi dito no início que ser do sexo feminino é fator de risco. Essa diferença numérica ocorre porque a glândula mamária do homem não é desenvolvida como o a da mulher, o que acaba reduzindo o risco de surgimento de alterações que levariam a um tumor maligno. A estrutura mamária do homem contribui para que as doenças da mama, incluindo as benignas, sejam menos comuns.