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9 de abril de 2021
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Câncer do Intestino – Dr. Maurilio Paiva

O câncer colorretal ou do intestino é um tumor maligno que se instala no reto e intestino grosso, sendo o segundo em incidência em homens e mulheres, atrás somente do câncer de próstata e mama, respectivamente. Esse dado exclui o câncer de pele, que lidera no Brasil, devido ao clima tropical.

O câncer de intestino é também o terceiro em mortalidade, ficando atrás do câncer de pulmão, de mama nas mulheres e de próstata nos homens. Segundo alguns estudos, em 2040, ele será a principal causa de morte por câncer nas pessoas entre 20 e 49 anos.

É possível evitar o câncer do intestino com hábitos saudáveis e exames preventivos. A detecção precoce aumenta as chances de cura.

Por ser uma doença muito frequente e ser prevenível, devemos explicar e falar mais sobre o câncer do intestino. Vamos então conversar sobre ele? O nosso entrevistado é o coloproctologista, Dr. Maurílio Paiva.

O que é o câncer do intestino?

O câncer de intestino compreende os tumores localizados no intestino grosso e no reto. É também conhecido como câncer de cólon e reto ou colorretal.

É tratável e, na maioria dos casos, tem cura. As chances de cura aumentam quando detectado precocemente.

O câncer de intestino normalmente começa com pólipos, que são lesões benignas que vão crescendo devagar. O tipo mais frequente é o adenocarcinoma.

Dividimos o câncer colorretal em 4 estágios: o primeiro está restrito à camada mais superficial da parede intestinal e as chances de cura são de mais de 90%. O estágio 2 também está limitado ao intestino, mas o câncer já acomete a camada muscular do intestino e por isso apresenta um risco maior de desenvolvimento de metástase (quando o câncer atinge outros órgãos). O estágio 3 é quando ele atinge os linfonodos, responsáveis por drenar a região. Na cirurgia do câncer, em todos os casos, realizamos a linfadectomia, que é a retirada desses linfonodos. No estágio 4, o tumor já se disseminou para outros órgãos e tecidos. Na maioria das vezes, o câncer de cólon se espalha para o fígado ou pulmão.

Como realizamos o diagnóstico do câncer?

O principalmente exame para a detecção do câncer de intestino é a colonoscopia. Quando o câncer localiza-se no reto ele pode ser detectado no exame físico que realizamos durante a consulta através do toque retal e da retossigmoidoscopia que é um aparelho que permite visualizar a parte interna do ânus e do reto. Outros exames como a tomografia computadorizada e a ressonância nuclear magnética também auxiliam no diagnóstico.

 A colonoscopia tem fama de ser dolorosa? É verdade?

Não. A colonospocia é um exame indolor,  feita com sedação. Eu mesmo só realizo o exame com a presença de um anestesista, por oferecer maior segurança ao paciente. A parte chata do exame é o seu preparo, pois precisa de uma dieta restrita e uso de laxante para a limpeza intestinal.

Quais são os sintomas quando o câncer do intestino se manifesta?

Não existe um sintoma específico. No início, ele pode ser assintomático.

Porém, quando os sintomas se manifestam, o mais comum é a dor abdominal , que é variável  de intensidade e de acordo com a localização do câncer. Depois temos a alteração do hábito intestinal, que pode ser uma diarreia frequente ou intercalada com intestino preso. Há também os sangramentos nas fezes que ocorrem com mais frequência quando o câncer está no final do intestino grosso ou no reto. Outros sintomas que podem ocorrer, principalmente quando o câncer se localiza do lado direito do intestino, são anemia e fraqueza.

Você mencionou o sangramento nas fezes. Pode ocorrer algum mal entendido ao sangramento atribuído às hemorroidas e ao sangramento intestinal?

Sim. As hemorroidas possuem uma incidência alta na população, principalmente após os 40 anos. Estatísticas mostram que cerca de 30% das pessoas irão desenvolver algum grau de hemorroida e o seu sintoma mais frequente é o sangramento.

É importante ressaltar e alertar que um estudo já antigo demonstrou que em pessoas com hemorroidas e mais de 40 anos e que realizaram a colonoscopia para investigação do sangramento, os pólipos, que são as lesões precursoras do câncer, foram encontrados em 13% dos casos e o câncer do intestino em 6% dos casos.

Quais são os fatores de risco para o câncer do intestino?

A idade é um fator de risco. O risco aumenta após os 50 anos. Os hábitos alimentares, como o consumo excessivo de carne vermelha, embutidos, produtos industrializados e processados, a pouca quantidade de fibra na dieta contribuem para o apartamento dos pólipos e do câncer de intestino. O sedentarismo, a obesidade, além do tabagismo e do consumo exagerado de álcool também são fatores de risco.

A hereditariedade é outro fator de risco. Caso haja casos de câncer de intestino na família é preciso antecipar os exames preventivos. A conduta é individualizada dependendo do grau de parentesco e da idade em que o parente teve o câncer.

Qual o tratamento?

Basicamente o tratamento é cirúrgico, com a retirada da parte do intestino acometida. Dependendo do seu estágio incluímos a quimioterapia. Na maioria dos casos do câncer de reto, quando o tumor está mais próximo do ânus, indicamos antes da cirurgia um tratamento com radioterapia junto com quimioterapia, chamado tratamento neoadjuvante.

Como prevenir o câncer do intestino?

Existe a prevenção primária e secundária. A primária é aquela em que modificamos nossos hábitos de vida: fazer exercícios físicos regulares, manter o peso sobre controle, fazer uma dieta rica em fibras, diminuir o consumo de carnes vermelhas e aumentar o de peixes (possuem ômega 3 e ômega 6, que são fatores protetores), evitar o consumo de processados e embutidos, não consumir álcool em excesso e não fumar.

Já a prevenção secundária inclui a ida ao médico e a realização periódica de exames, mesmo com hábitos saudáveis, pois estamos falando de um câncer com alto índice de incidência. E como se trata de um câncer prevenível, esses exames podem detectar os pólipos quando ainda são pequenos e benignos. Os pólipos podem ser retirados através da conoscopia evitando que se tornem posteriormente um câncer.

A ida ao médico deve ser feita regularmente a partir dos 45 anos de idade para a população geral e aos 40 anos ou em uma idade 10 anos menor que quando o parente teve o câncer. O que vier primeiro.  Um exemplo: se um pai teve câncer com 48 anos, o filho já deve realizar sua primeira colonoscopia aos 38 anos.